Diogo Mateus Garmatz
O que fazemos em vida ecoa na eternidade
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DÊ SEMPRE O SEU MELHOR
 
UMA MÃE ESTAVA CONDENADA a ter que pegar na alça do caixão de seu filho de apenas seis anos. Ele sofria com uma leucemia e estava em estado terminal. Ela se preparava para experimentar uma das maiores dores que um ser humano pode provar, se não a maior, ainda assim, mostrava uma estrutura muito adensada diante da tragédia iminente que a espreitava. Como uma mãe que criara seu filho com todo empenho e amor até ali, partia o coração dela saber que não veria seu filho crescer nem realizar qualquer sonho que fosse. A doença havia arrancado do futuro do menino toda esperança. Ciente de que cada diálogo que tinha com o menino no leito do hospital poderia ser o último, ela sabia que cada palavra que ouvia de seu filho ficaria para sempre gravada em sua memória. Foi em um desses diálogos que ela segurou a mão do filho e lhe perguntou:
–Filho, o que tu queres ser quando crescer?
O menino não precisou pensar muito para dar a resposta. Ela estava na ponta da língua:
–Mamãe, eu quero ser um bombeiro!
Sorridente, a mãe prometeu ajudá-lo na realização desse sonho:
–Eu vou fazer de tudo para tu tenhas essa alegria!
Assim que pôde, ela foi ao Corpo de Bombeiros mais próximo e reportou ao chefe dos bombeiros o estado em que se encontrava seu filho e o sonho que ele tinha, sonho que provavelmente levaria junto para a sepultura. Então, ela perguntou ao oficial se seu filho poderia ir até ali e conhecer o interior do quartel, nem que fosse apenas por alguns minutos. O Chefe dos bombeiros, profundamente sensibilizado com a situação, respondeu:
–NÓS PODEMOS FAZER MELHOR QUE ISSO! Dentro de uma semana, me espere com ele pronto pela manhã, ele será nosso bombeiro honorário, passará um dia inteiro conosco, como se fosse um de nós! Ele virá até o quartel, sentará à mesa conosco, comerá o que nós comermos e ficará de prontidão para, assim como nós, atender a todas as chamadas de emergência. Antes de ir embora, já me deixe as medidas dele, vou providenciar um uniforme para ele, com direito a emblema do nosso batalhão no capacete e no casaco, tudo idêntico ao nosso uniforme!
Chegado o dia combinado, o bombeiro-chefe surpreendeu o menino no hospital, trocou o traje hospitalar dele por uma farda, fez o mais lindo sorriso brilhar em seu rosto e o levou até o caminhão que o aguardava. Lá se foi o menino em direção ao quartel dos bombeiros. Seu sonho viera ao seu encontro, seu coração parecia que saltaria pela boca, tudo era emoção. Três ocorrências de incêndio aconteceram naquele dia, e o menino bombeiro acompanhou o batalhão em todas!
Em cada ocorrência ele se deslocou em um veículo diferente: no tanque com o canhão de água, na ambulância dos paramédicos e até no carro oficial do superior dos bombeiros. Esse vislumbre que sentiu o garoto, a satisfação, a alegria, a empolgação, mexeram tanto com ele, que ele teve uma sobrevida de três meses além do que os médicos haviam previsto. Até que, em uma noite fatídica, ele começou a dar sinais de esmaecimento, foi quando a junta médica comunicou à mãe que as horas derradeiras da vida do menino estavam se aproximando.
Sentindo o frio da morte começar a tomar lentamente as extremidades do corpo do menino, ela lembrou que uma das maiores alegrias que o menino tivera em vida foi quando conviveu, ainda que brevemente, com a equipe de bombeiros. Ela mais uma vez entrou em contato com o bombeiro chefe, e comunicou que seu filho estava por se despedir para sempre da vida. Perguntou então, com a voz já embargada e mal conseguindo se expressar, se seria possível que um bombeiro visitasse o menino nos seus instantes finais de vida. Qual não foi a resposta do bombeiro chefe:
–NÓS PODEMOS FAZER MELHOR QUE ISSO! Em cinco minutos chegaremos aí, sairemos como se fossemos atender uma emergência, já adiante ao comunicador do hospital para que ele antecipe a todos que as sirenes que serão ouvidas não têm a ver com nenhum incêndio no prédio. Diga que estaremos apenas indo visitar um membro do nosso batalhão, um dos que mais honram nosso batalhão fazendo parte dele. Não se esqueça de deixar a janela do quarto dele aberta, por favor!
Em menos de dez minutos, o bombeiro chefe em seu carro oficial, a ambulância de paramédicos e um caminhão com escada levadiça estavam estacionados na frente do hospital. A escada foi levantada até a janela do quarto do menino, e não menos do que oito bombeiros, fizeram uma entrada cinematográfica!
Com a concordância da mãe, os bombeiros deram no menino um abraço coletivo, o seguraram em seus braços e contaram a ele o quanto ele era querido e amado. Juntando as últimas energias que restavam, o menino buscou ar para perguntar ao bombeiro chefe:
–Chefe, eu sou mesmo um bombeiro, não sou?
–Sim, tu és, e és um dos melhores que eu já vi em ação, és o orgulho do nosso batalhão! – Disse o chefe dos bombeiros com os olhos fitos aos do menino, observando ele perder as forças e dar seu último suspiro.
Depois de ouvir isso, o menino cerrou os olhos, e com um sorriso no rosto teve a morte mais tranquila e feliz que qualquer um poderia desejar. Sua mãe observou tudo, com o rosto banhado em lágrimas, e até hoje procura as palavras para exprimir gratidão ao chefe dos bombeiros por tudo que ele fez por seu filho.
Diogo Mateus Garmatz
Enviado por Diogo Mateus Garmatz em 20/05/2020
Alterado em 14/08/2020
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