Diogo Mateus Garmatz
O que fazemos em vida ecoa na eternidade
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HÁ UM TEMPO DETERMINADO PARA TODAS AS COISAS
     É o tempo que ao mesmo tempo muda o ser e revela quem ele é. Graças ao tempo, o ser adquire conhecimento e medita sobre as coisas que não entende, pois toda a sua existência se dá no fluxo temporal. Ah, quem dera fosse possível adquirir todos os conhecimento bebendo algo, ou comendo, ou ingerindo alguma comprimido, ou instantaneamente ao ver um flash, ou injetando algum nanoeletrônico sob a pele. Infelizmente não é assim, ler um livro requer tempo, adquirir cultura, mais ainda. Todavia, também seria injusto olhar para o tempo como um algoz: o ser humano é o único animal a se deslocar pela terra que nasce sem saber caminhar, sem saber falar, sem saber praticamente nada, agindo puramente por instinto. É um animal cujos filhotes são totalmente dependentes de seus genitores após o nascimento, diferente de outros que, poucos minutos depois de nascer, já estão em pé e esboçando os primeiros passos. Se um bebê humano for abandonado pelos pais após seu nascimento sem que ninguém tenha com ele qualquer cuidado, ele estará condenado à morte! Não conseguirá sair do lugar, tampouco se alimentar e será, em bem pouco tempo, devorado pelas formigas.
     É o tempo que forma o ser, que o amadurece, que o caleja, que o ensina, que o traz conhecimento, que o possibilita construir aquilo que é. O tempo é parte constituinte do cosmos e da realidade tanto quanto o são as três dimensões físicas. Como escreveu o rei mais sábio que já reinou em Israel, Salomão:
 
Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito embaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Eclesiastes 3:1-8
 
     A realidade é um cosmos tridimensional acontecendo na quarta dimensão, a do espaço-tempo, não fosse o espaço-tempo, toda a realidade não passaria de uma fotografia imóvel, inerte, onde nada aconteceria, muito menos a vida! Ah, não fosse o tempo! Nunca se saberia qual é a alegria de receber um filho nos braços depois de esperá-lo ansiosamente por nove meses! Nunca se saberia a gratidão e a dor de chorar por uma pessoa amada depois de passar uma vida inteira ao lado dela!  Nunca se saberia a emoção de dançar valsa com uma filha quando ela completa quinze anos! Nunca se saberia qual é a satisfação de ver um trabalho concluído! Nunca se saberia o que é sentir saudade! Nunca se saberia o colorido que a vida ganha quando a paixão acerta em cheio pela primeira vez! Nunca se saberia o sabor de uma fruta quando ela amadurece! Nunca se saberia o que é ver a esperança nascendo dentro da alma ao contemplar o sol nascendo, depois de uma noite de lágrimas! Nunca se saberia que “nunca” e “sempre” são os únicos sinônimos perfeitos! Ah, se não fosse o tempo! Quem dera houvesse mais tempo! Quem dera fosse possível brincar com ele e voltar atrás para abraçar pessoas que se foram sem que se pudesse delas se despedir... Quem dera fosse possível dizer o quanto uma pessoa era amada antes de ela partir de vez e, assim, nunca mais sentir remorso. Quem dera fosse possível ficar um pouquinho mais na casa em que se cresceu antes de se sair dela para nunca mais voltar. Se houvesse mais um tempinho, poder-se-ia ainda tomar uma última xícara de café conversando com os pais, sabendo que são eles que vão deixar a mais esmagadora das saudades...
Diogo Mateus Garmatz
Enviado por Diogo Mateus Garmatz em 30/03/2020
Alterado em 14/08/2020
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