Diogo Mateus Garmatz
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OS CINCO PONTOS DO CALVINISMO
 
     Não se levando em conta neste contexto histórico toda a teologia do apóstolo Paulo, o conflito doutrinal começou no período conhecido na Filosofia medieval como Patrística, no qual os pais da Igreja delineavam a espinha dorsal do cristianismo. Pelágio, um teólogo da época, começou a ensinar que o pecado original de Adão afetou somente o próprio Adão, que a humanidade não herdou dele a natureza pecaminosa, de forma que o livre arbítrio do homem não foi afetado completamente, tendo esse, ainda, a liberdade de escolher entre Deus e o pecado, possuindo capacidade de se inclinar para as coisas de Deus, se assim o desejar. Para Pelágio, o pecado era um comportamento aprendido, e o homem nascia bom e totalmente livre, sem ser atingido nem alcançado por nenhuma consequência da queda de Adão. Quem se opôs ao pelagianismo foi nada mais nada menos do que Agostinho de Hipona, um dos maiores filósofos e teólogos da Antiguidade Tardia, que confrontou os ensinos de Pelágio com a doutrina bíblica e demonstrou que eles não paravam em pé. Agostinho tratou o pelagianismo como heresia porque ele se chocava frontalmente com a escritura que diz que o homem nasce morto em delitos, cego, nu e escravo do pecado, da carne e das paixões mundanas.
     Aconteceu, então, que os concílios da época acabaram por ratificar os argumentos de Agostinho e consideraram o pelagianismo como sendo uma heresia, devendo ser oficialmente varrido da Igreja.
     No entanto, ainda que uma heresia possa ser identificada e combatida, ela dificilmente pode ser exterminada; as ideias de Pelágio nunca foram esquecidas e voltaram à tona em gerações posteriores. Essa é a gênese da discussão teológica que orbita o livre arbítrio, Agostinho defendia que não havia liberdade para as decisões morais, espirituais e éticas, enquanto Pelágio defendia a total liberdade do homem em suas escolhas e decisões.
     A Igreja Católica acabou por adotar o que ficou conhecido como semipeligianismo, uma tentativa de conciliar as duas correntes teológicas, afirmando que embora o pecado original alcance toda a humanidade, o arbítrio do homem não foi completamente destruído, de sorte que o homem ainda pode escolher livremente entre inclinar-se para Deus ou para o pecado, sem que seja imperativa qualquer ação externa ou intervenção divina no coração do homem.
     Com o advento da reforma protestante, ressurge o debate, desta vez entre Martinho Lutero e Erasmo de Roterdã, este defendendo a Igreja Católica e as doutrinas de Pelágio, aquele refutando o livre arbítrio, chegando, inclusive, a escrever sua refutação em um livro, chamado de O Arbítrio Escravo, que traduzido para versões em português chegou ao Brasil sob o título Nascido Escravo. Pouquíssimo tempo depois, João Calvino assume a nau da reforma protestante, insistindo naquilo que tanto Lutero quanto Agostinho já haviam se dedicado, defendendo a soberania de Deus e a depravação total do homem afetado pelo pecado adâmico.
     Com Calvino emerge também a ideia do monergismo, onde Deus é o agente exclusivo da salvação, não havendo nada no homem que coopere com esse resgate. Os semipelagianos adotaram o sinergismo, um sistema soteriológico no qual Deus vem em direção ao homem para salvá-lo, mas depende da atitude e da reação desse homem diante da oferta salvífica, dando assim ao homem um papel decisivo e determinante na salvação, pois ele mesmo acaba por cooperar para a redenção de sua alma. Cerca de cinquenta anos após Calvino, o protestantismo já havia se difundido pela Europa, e com ele, o calvinismo, o sistema soteriológico proposto por Calvino, até que se ergueu uma voz na Holanda de um professor de teologia chamado Jacobus Arminius, removendo os escombros de sobre as ideias de Pelágio e promovendo um aprofundamento dos ensinos de Erasmo de Roterdã, embora nunca tenha confrontado explicitamente a Igreja calvinista holandesa nem escrito nenhuma obra refutando o calvinismo. Foram os discípulos de Arminius que compilaram seu material de aula e esboçaram um documento refutando o calvinismo e o enviaram ao sínodo da Igreja da Holanda requisitando que a Igreja deixasse a doutrina calvinista e se voltasse para os ensinos de Pelágio e Erasmo.
     Foi em função dessa insistência nos ensinos de Pelágio, no combate a Agostinho, Lutero e Calvino e pelo pedido de revisão desse assunto já tão debatido, que eles ficaram conhecidos como remonstrantes. O pedido de revisão dos remonstrantes consistia em cinco pontos:
 
         1° - Livre arbítrio: O homem não tem sua capacidade de escolha moral totalmente destruída pelo pecado original de Adão, embora seja afetado pela herança adâmica, ele ainda pode, livremente, escolher entre Deus e o pecado.
 
         2° - Predestinação condicional: A escolha de Deus em salvar ou usar alguém se dava pela presciência de Deus que, olhando para o futuro, viu quem creria e a partir daí, determinou aqueles que seriam salvos e usados em seus propósitos. Para os remonstrantes, se Deus houvesse determinado o destino de alguém, isso feriria o respeito que Deus tem pelo livre arbítrio que Ele mesmo deu aos homens, e também anularia o primeiro ponto.
A partir desta altura já começa a ficar nítido o encadeamento lógico no sistema soteriológico proposto pelos remonstrantes, pois se o primeiro ponto diz que o homem tem livre arbítrio, então o segundo, coadunando-se com aquele, precisa necessariamente negar o determinismo divino e o destino, evitando assim qualquer contradição já nas bases deste sistema. Para o arminianismo predestinação é o mesmo que presciência.
 
3° - Sacrifício geral: O sacrifício salvífico de Cristo foi por todos, por toda a humanidade em geral e, ao mesmo tempo, por nenhum homem em particular. A decisão de aceitar o sacrifício de Jesus é particular e depende da aceitação de cada pessoa. Cristo morreu para salvar a todos potencialmente, mas só salva efetivamente aqueles que o aceitarem. É o chamado sinergismo, onde a salvação só se concretiza com a ação conjunta entre Deus e o homem, não bastando apenas a ação divina, mas necessitando também da aceitação do homem, em respeito ao seu livre arbítrio. Salvação, portanto, é a combinação entre o sacrifício de Cristo e o arbítrio do homem.
     Um problema que merece atenção aqui é que se Cristo morreu por toda a humanidade e depende do homem aceitar essa salvação, então, o homem que negar e voltar as costas a Deus terá seu pecado pago duas vezes: uma vez pago por Cristo na cruz e uma segunda vez pago por ele mesmo na condenação eterna. O pecado seria cobrado duas vezes, e duas pessoas distintas cumpririam a pena, além disso, o sacrifício na cruz teria sido em vão.
 
4° - Graça resistível: Como consequência do terceiro ponto, se Cristo houvesse morrido por eleitos em particular, esses deveriam ser salvos obrigatoriamente, independentemente de seus arbítrios, não fosse assim, Cristo teria morrido em vão e os pecados desses eleitos seriam punidos duas vezes, como já dantes exposto. Como Cristo não morreu por nenhum homem em particular e a salvação depende da aceitação particular de cada pessoa, segue-se disso que a graça de Deus em favor do homem para salvá-lo pode ser resistida e rejeitada pelo homem.
     No sistema soteriológico arminiano, ainda que Deus queira salvar alguém, se esse alguém rejeitar a salvação, o que prevalecerá é a vontade do homem e não a vontade de Deus. Tudo isso para sustentar a ideia de que o homem possui livre arbítrio.
 
5° - Queda da graça: Ainda seguindo o encadeamento sistemático, neste quinto ponto, o homem assim como pode optar pela salvação, pode também, a qualquer tempo, optar pela não salvação, bem como pode, ao inclinar-se para o pecado, cair da graça e perder a salvação, vivendo constantemente sob a ameaça da condenação eterna, necessitando, assim, se afastar do pecado e manter por suas ações e atitudes a sua alma salva. O homem, então, tem livre arbítrio tanto para aceitar a salvação quanto para rejeitá-la, e isso, intercaladamente, quantas vezes for conveniente ou necessário.
 
DIANTE DESTA PROPOSTA DOS remonstrantes, o sínodo se reuniu em uma cidade da Holanda chamada Dort, ficando por isso conhecido como o “Sínodo de Dort”, convocando uma grande plêiade de teólogos de vários países. A questão foi exaustivamente debatida e estudada por mais de cento e cinquenta teólogos que se reuniram por mais de cem sessões, durante um ano, para, por fim, depois das análises criteriosas e rigorosas das mais variadas e privilegiadas mentes da época, oferecerem a contrarremonstrância. Cada ponto do sistema arminiano apresentado foi refutado, dando origem aos que ficaram conhecidos como os cinco pontos do calvinismo. A conclusão a que o sínodo chegou foi a de que o sistema arminiano era contrário aos ensinamentos bíblicos e deveria ser rechaçado de todos os púlpitos das Igrejas.

À ÉPOCA, questões religiosas eram tratadas sem serem separadas das questões políticas, de estado e de poder, e em função desse espírito de época, a consequência para os remonstrantes foi a perda de seus títulos pastorais, a perda de seus cargos como professores, a exclusão de suas igrejas e a expulsão da Holanda por seis anos. Para apresentarem seus argumentos, os teólogos do sínodo de Dort foram derrubando, ponto a ponto, o sistema proposto pelos arminianos. O sistema soteriológico calvinista não é, portanto, o precursor, antes, é a resposta aos cinco pontos apresentados pelos remonstrantes:
 
1° - Total depravação: Não só o arbítrio do homem foi totalmente prejudicado pelo pecado original, mas todas suas faculdades. Assim como Paulo diz em sua epístola aos Romanos, a inclinação do homem é para o pecado, e mesmo que o homem queira Deus, o pecado escraviza o homem, e somente a graça de Deus é que pode resgata-lo do lamaçal em que está afundado. É o chamado monergismo, só Deus pode resgatar o homem, não há nada no homem que coopere para sua salvação, “todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia”, como está escrito em Isaías 64:6ª.
     Cabe salientar que a totalidade aqui não se refere exclusivamente à intensidade, como se o homem fosse tão mal quanto ele pode ser, mas à extensão, sendo que o pecado atingiu a totalidade do homem, em todas as suas faculdades, entendimento, sentimento, fé e consciência, inclusive sua vontade, ou arbítrio.
     Se o homem for deixado ao seu arbítrio ele nunca escolherá Deus, pois sua depravação é total.
     É esse ponto que sempre foi a causa das discussões, tanto entre Agostinho e Pelágio, quanto entre Erasmo e Lutero e entre os calvinistas e os arminianos. Por consequência, esse ponto dispara os pontos seguintes, seguindo um encadeamento lógico, intrinsecamente amalgamado a um sistema soteriológico coeso e linear.
 
2° - Eleição incondicional: Deus elegeu e predestinou para a salvação a partir de seu olhar para uma raça humana totalmente depravada e morta em seus delitos e iniquidades. Se há injustiça aqui, nas escolhas soberanas de Deus? Essa é uma pergunta muito antiga, já respondida por Paulo em Romanos 9:20,21:
 
Mas, ó homem, quem és tu, Que a Deus replicas? Porventura, a coisa formada dirá ao que a formou: Porque me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?
 
     Se Deus condenasse toda a humanidade à condenação eterna, ele estaria sendo um deus justo, e se, por misericórdia, escolheu salvar alguns, isso se deve à sua soberana, justa, livre e perfeita vontade. É por isso que não há injustiça alguma em Deus deixar de eleger alguns, pois eles estarão recebendo a justa condenação por seus delitos. A incondicionalidade citada neste ponto vem refutar o pelagianismo e o semipeligianismo que permeia o arminianismo, pois Deus não usa como critério para sua eleição nenhum aspecto de bondade do homem nem qualquer atitude virtuosa, nem o caráter, nem a fé prevista, tampouco obras de justiça, mas única e exclusivamente sua misericórdia e soberania. Não resta espaço para a presciência pelagiana, porque Deus só pode prever aquilo que ele mesmo determinou, não só porque Deus não é um mero espectador da história, mas também porque nada existe fora de Deus.
     A própria história não é uma entidade autônoma e independente, mas uma criação do próprio Deus, o qual sustenta toda a realidade. É seguindo essa linha que se passa ao próximo ponto...
 
3° - Sacrifício eficaz: Cristo morreu não por toda a humanidade em geral e abstratamente, mas para pagar os pecados dos eleitos, sendo seu sangue eficaz para lhes cobrir os pecados. Se ele houvesse morrido por toda uma humanidade eleita, haveria também eficácia em seu sangue e sacrifício para alcançar a todos e ninguém se perderia. Esse ponto sublinha que o sacrifício no Calvário foi por um grupo eleito desde a eternidade, escolhido e determinado segundo a soberania e a misericórdia de Deus.
     Seguindo a característica de possuir um encadeamento lógico e coeso, neste sistema, quando um não eleito é condenado à perdição eterna, ele recebe uma condenação que ainda não foi cumprida por ninguém, uma vez que Cristo não morreu por seus pecados. Diferente do terceiro ponto remonstrante, no terceiro ponto do calvinismo a pena é executada uma única vez ao infrator. Quando Cristo morreu por seus eleitos, seu sacrifício foi eficaz e poderoso para salvá-los, e somente a eles, a ponto de que esses eleitos sejam alcançados de forma cirúrgica e contundente, sem que rejeitem a salvação, conforme vem dizer o quarto ponto, seguindo em uma ascendência sólida e em uma fluidez natural...
 
4° - Graça irresistível: Embora o chamado de Deus ao arrependimento seja universal, há um momento oportuno e determinado em que os eleitos são atingidos em cheio pelo toque e pela ação do Espírito Santo em seus corações, de tal forma que a palavra de Deus lhes esmiúça a alma, lhes quebranta o espírito e derrete seus corações, sendo impossível ao homem opor qualquer resistência diante de tão poderosa e gloriosa intervenção. “... Ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?” (Isaías 43:13b).
     O livre arbítrio não existe para os que são escravos do pecado, mas também não existe para aqueles que são eleitos por Deus para a salvação, e é aqui que surge o contraponto de que se Deus é amor, então ele deveria respeitar o livre arbítrio do homem. Ora, não há falta nenhuma de amor em negar o livre arbítrio a alguém, bem pelo contrário, é justamente por amar que filhos são colocados em um chiqueirinho, impedindo-os de saírem engatinhando para a estrada, é por amor que não se dá aos filhos autonomia para tomar decisões desastrosas quando são ainda pessoas em desenvolvimento e sem a maturidade necessária. É por amor que, diante de uma pessoa querida que queira cometer suicídio, se faz o que está ao alcance para impedi-la de cometer tal loucura, chegando-se ao ponto de, até mesmo, se preciso for, privá-la da liberdade! Há, por acaso, desamor em privar as pessoas amadas do livre arbítrio, no afã de não permitir que cometam loucuras ou caminhem para a tragédia?
     Seria Deus mais amoroso se, em respeito ao livre arbítrio, ficasse apenas observando pecadores cegos e desprovidos de qualquer reação caminhando a passos largos para o inferno? De fato, a soberania dos propósitos de Deus não é antagônica ao seu amor, e o livre arbítrio não é uma condição necessária para que haja efetivo amor.
     Importante neste ponto é esclarecer a chamada Ordo Saluits, expressão latina que significa Ordem da Salvação: No sistema arminiano, primeiro a pessoa se arrepende e tem fé, depois é regenerada, e, por fim, é justificada. Já no sistema calvinista, primeiro a pessoa é regenerada e depois se arrepende e tem fé, seguindo daí a justificação. A diferença está na sequência dos dois primeiros acontecimentos, e tudo se clarifica se entendido for que para arminianos é necessário o livre arbítrio e o arrependimento espontâneo da pessoa, enquanto que para calvinistas, um morto não pode arrepender-se, não pode fazer coisa alguma, ele é um escravo do pecado com a totalidade de suas faculdades prejudicadas e só pode vir ao arrependimento se Deus, antes, o regenerar.
 
5° - Perseverança dos salvos: Este último ponto comunica que a salvação não pode ser perdida pelos eleitos, em outras palavras, uma vez salvo, sempre salvo. Isso não significa que o eleito pode viver à margem de qualquer ética ou conduta moral, ou entregue a devassidão e à perversidade. Não. Significa que Deus vai preservá-lo e conserva-lo até o último fôlego de vida. Ainda que o eleito peque, se afaste por um período, seu coração nunca deixará de arder e ele nunca apostatará da fé. Bom aqui é lembrar-se de Jonas, que decidiu seguir um rumo contrário ao que Deus havia para ele preparado, e depois de provar a escuridão das profundezas, voltou quebrantado e clamando a Deus, reconhecendo a soberania dos propósitos divinos.
     Mais uma vez ficam realçadas as diferenças bem nítidas entre os dois sistemas, uma vez que para os arminianos o homem pode, a qualquer momento, perder sua salvação. É neste ponto que surge mais uma vez e com muita tônica, o semipeligianismo na confissão arminiana, pois a salvação depende de um sinergismo, uma ação conjunta entre Deus e o homem, não só para que a salvação se efetive, mas também após ela, no transcorrer da vida cristã, onde a conduta ética do homem é um sustentáculo da salvação, uma das bases para que o homem alcance a eternidade com Deus.
     Esse pensamento acaba por desencadear uma meritocracia, facílima de ser observada e verificada na conduta arminiana, pois é conferido considerável mérito à conduta humana, a ponto de, em casos extremos, verdadeiras seitas serem criadas, com códigos de conduta e costumes específicos que condicionam a salvação.
     Não é por acaso que se cria um terreno fértil para a soberba. Porque, afinal, se a salvação é alcançada por méritos e ações coordenadas entre Deus e o homem e não com o reconhecimento da miserabilidade humana e da incomensurável misericórdia incondicional de Deus, é forçoso e inevitável que o homem se comporte como o conquistador da dignidade de um santo, como se por seus méritos estivesse cooperando juntamente com Deus para sua própria salvação. Reside nesse pensamento também a gênese do desmoronamento do cristianismo moderno: a religiosidade se transformou em um conjunto de preceitos e regras e em uma agenda semanal a ser seguida, recheada de liturgia. Seguir tais convenções confere a quem se adequa o mérito de um santo, digno de uma medalha no peito por bravura e honra em combate contra o pecado, o mundo e Satanás. A misericórdia de Deus? Ah, essa é para quem precisa dela, essa é para os fracos!
 
QUANDO EM UM ÚLTIMO SUSPIRO o arminianismo argumenta que a eleição de Deus não se dá em função de sua escolha soberana, tampouco determina o destino dos homens, o argumento que é lançado é o de que Deus não predestina ninguém, antes, ele vê em sua onisciência e presciência aquilo que vai acontecer e, em função disso, escolhe e elege aqueles que vai salvar e usar em seus desígnios. Ora, se Deus, de fato, em sua presciência, vê os que crerão e os predestina, então, quando chega a hora dessa tal pessoa optar por Cristo, essa decisão já não é mais livre, pois quando Deus viu essa decisão no futuro, ele a viu como um fato, não como uma possibilidade ou opção, mas um fato fixo e inexorável. Além disso, a pessoa só poderá decidir por aquilo que Deus já viu, não havendo qualquer margem para que a pessoa possa mudar sua decisão, pois se mudasse a decisão num último instante, Deus também teria visto essa mudança de última hora, e a tal mudança seria por fim fixa e inexorável.
     Se Deus, de outra forma, não visse esse futuro como um fato, estando ainda no homem o poder de mudança e decisão, logo, Deus já não seria mais Deus, restando impossibilitado de prever o futuro e amarrado ao bel-prazer da vontade humana. Dessa forma, para que o homem seja realmente livre em suas escolhas, necessário se faz tirar de Deus também a presciência, além da predestinação, pois se Deus conhece o futuro, esse futuro também está determinado..
Diogo Mateus Garmatz
Enviado por Diogo Mateus Garmatz em 25/03/2020
Alterado em 28/04/2020
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