Diogo Mateus Garmatz
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REFUTAÇÕES À TEORIA DA EVOLUÇÃO
 
     A Teoria da Evolução, que postula que postula que formas menos evoluídas (em relação às atuais) se transmutam em espécies mais evoluídas (em relação às ancestrais), não se mostra muito viscosa depois de ser decantada. Quanto à origem da vida, essa teoria diz que um suposto organismo primordial — que milagrosamente apareceu na Terra há mais de 3 bilhões de anos — evoluiu dando origem a toda as espécies hoje existentes. É claro que quanto à seleção natural e à capacidade de adaptação não existem muitas controvérsias, mas quando a teoria sugere que há saltos qualitativos, espécies que dão origens a outras espécies, aí o problema surge e refutações brotam do próprio meio científico, principalmente quando se conjectura que a vida é fruto de um longo processo evolutivo. O físico e filósofo da ciência Wolfgang Smith dedicou um capítulo inteiro da sua obra Cosmos e Transcendência para expor as incoerências presentes no miolo da teoria da evolução:

O evolucionista na verdade é forçado a estipular incontáveis hipóteses ad hoc para protegê-la contra fatos adversos a ela, dos quais já conhecemos alguns exemplos: a falta de fósseis pré-cambrianos e a geral escassez de elos evolutivos; as incongruências da recapitulação; a ausência de órgãos nascentes; os dados sobre precipitação sanguínea “infestados de absurdidades” (Dewar); e, para fechar o rol de constrangimentos, la stabilité experimentalement constatée des organismes actuels[1].[2]
 
  É necessário que seja bem frisado que a teoria da evolução não é uma unanimidade no meio científico, ela possui muitas deficiências e inconsistências internas. Mesmo Charles Darwin, em seu livro A Origem das Espécies, reconhecia as limitações e insuficiências metodológicas e experimentais de sua teoria, especialmente no que concerne a uma espécie interespécies, uma espécie transicional de uma à outra, o elo originador de uma nova espécie:
 
Mas quase não existem casos confirmados de híbridos de duas espécies muito diferentes que tenham resultado perfeitamente férteis.[3]
Se procurarmos na natureza a comprovação da verdade destas afirmações, e observarmos qualquer pequena área isolada, como uma ilha oceânica, apesar de o número de habitantes ser pequeno (...), uma grande parte das espécies que lá existem é endêmica, ou seja, foi lá produzida, e não existe em qualquer outra parte do mundo. Assim sendo, à primeira vista parece que uma ilha no meio do oceano oferece condições particularmente favoráveis à produção de novas espécies. Mas podemos estar rotundamente enganados, pois para aferirmos se uma área pequena e isolada, como uma ilha oceânica, é mais favorável ao surgimento de novas espécies que um grande território aberto, como um continente, teríamos de recuar no tempo e comparar as ocorrências de tal fenômeno num período equivalente – e esse exercício é impossível.[4]
 
     Na obra de Darwin é possível ver claramente como ele mesmo não arrogava para si nem para sua obra a presunção da infalibilidade da teoria evolutiva. Principalmente quando o assunto era a origem da vida, Darwin se negava a afirmar que há geração espontânea de vida, o que se coaduna com o princípio da Biogênese de Louis Pasteur, que diz que a vida só pode se originar de outra vida, ou, nas palavras de R. Wirchow, “toda célula se origina de outra célula”, do latim “omnis cellula ex cellula”:
 
Lamarck, que acreditava que todos os seres vivos têm uma tendência inata e inevitável para a perfeição, parece ter tido tantas dificuldades com estas questões que chegou ao ponto de supor que estão continuamente a surgir, por geração espontânea, novas formas simples. Independentemente do que nos revelará o futuro, a Ciência ainda não conseguiu provar a veracidade desta crença.[5]
 
     Ainda que, com a afirmação acima, Darwin estivesse querendo dizer que é a evolução constante que dá origem a novas espécies e não a geração espontânea, de forma alguma se torna dispensável a necessidade de ser encontrada e identificada a primeira forma de vida da qual todas as outras evoluíram. Se a primeira forma de vida for explicada por geração espontânea, a teoria se contradiz. Por outro lado, se ela for fruto de uma evolução, então ela não é a primeira forma de vida, mas evoluiu de outra, o que desencadeia um círculo infinito de regressões em busca da forma original, e esta, quando encontrada, para que se ponha freio nesse regresso infinito, já não pode, necessariamente, ser explicada pelas vias evolucionistas. Se for, ainda, proposta uma sopa química como resposta para a origem da vida, ela acaba por ser também, no fim das contas, uma geração espontânea, só que explicada de uma forma mais específica. Mas além disso, essa proposta implica uma vida originada de um elemento não vivo, o que faz com que a  contradição se mantenha inevitável, tanto com relação à própria Teoria da Evolução quanto com relação ao princípio da Biogênese. Como se não bastasse, tal proposta faz restar também afastada qualquer forma de comprovação metodológica, observável ou experimentável e, por conseguinte, que tal proposta seja aceita como científica.
 
Pela natureza do caso, a doutrina da evolução é impossível de estabelecer em base empírica; e, no reverso da medalha, é em certo sentido “indesmentível”, como já assinalaram alguns contemporâneos filósofos da ciência. Eis aí a “sua força como dogma e a sua fraqueza como verdade científica”.[6]
 
     O darwinismo está mais para uma crença cientificista do que para uma ciência verdadeira que se apoia em critérios rígidos. Tal crença extrapola os limites daquilo que é definido como ciência, como se as cercas fossem derrubadas e fosse invadida uma área que não pertence mais à ciência. Um movimento extrapolador que se preocupa em manter um porte elegante combinado com uma empáfia intimidadora, mas que mais parece um zumbi vestido de terno e gravata que vai perdendo pedaços de carne apodrecida enquanto se movimenta para fora do cemitério.
 
O darwinismo, na verdade, jamais observou os critérios baconianos de legitimidade científica. O darwinismo merece, portanto, seu posto de dogma cientificista. É certo que esse dogma constitui um fino exemplo de crendice cientificista, mas nossos livros didáticos estão repletos de preceitos não menos espúrios, que também arrogam para si o status de verdades científicas. Basta para esses preceitos que se encaixem na cosmovisão prevalente e estabeleçam entre si uma rede de suporte mútuo; o fato de que não são capazes de sobreviver a uma inspeção científica passa, em geral, despercebido, e talvez não fosse mesmo capaz de provocar grande escândalo se descoberto.[7]
 
     A origem da vida sempre foi uma incógnita para a ciência. Tanto Carl Sagan em 1980, quanto Neil de Grasse Tyson, quase 40 anos depois, disseram nas respectivas séries de mesmo nome, Cosmos – Uma Odisseia no Espaço, que a origem da vida ainda permanece como um dos grandes mistérios para a ciência. Nem Darwin afirmou a geração espontânea, nem cientistas posteriores o fizeram, mas há alguns poréns. Há no meio científico atual um erro lógico bem habitual, há correntes que dizem que a aglomeração de moléculas enzimáticas criaram os primeiros seres unicelulares e daí se originou a vida. Há quem diga que a origem da vida se deu em outro planeta e depois chegou ao planeta Terra, ignorando que apontar a localização ou mesmo alocar a forma primordial fora da Terra não é o mesmo que explicar como a vida se originou, a pergunta ainda carece de resposta. Da mesma forma, tratar o micro como se fosse macro é fazer um salto qualitativo que muda o objeto de análise. Mas foi exatamente isso que Carl Sagan fez no capítulo 8 da série cosmos[8]:
 
A matéria é muito mais velha que a vida. Bilhões de anos antes do Sol e da Terra sequer terem se formado, átomos estavam sendo sintetizados nos interiores de quentes estrelas e, então, devolvidos ao espaço quando essas estrelas se explodiram. Os planetas formados mais recentemente foram feitos desses restos de estrelas. A Terra e cada coisa viva são feitos de poeira das estrelas.
 
     Carl Sagan foi um grande divulgador da ciência, com uma linguagem simples conseguiu não só torná-la acessível ao entendimento do público leigo, mas também despertou o interesse e o fascínio de muitos por este campo de conhecimento. Mas Sagan cometeu o erro crasso de confundir a parte constituinte com a coisa mesma. Essa inversão ontológica é o mesmo que pegar os pelos de um cachorro e apontá-los coo sendo o próprio cachorro em si. É confundir água com h2o sem levar em conta que água é uma coisa que muito se difere ontologicamente de dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio:
 
Se reduzirmos a água ao hidrogênio e ao oxigênio, teremos realizado uma corrupção da água e não uma mera separação de suas partes. Há um mínimo em que a água é água, após o qual deixará de ser água para ser os elementos que a compõem. Mas atingido esse ponto e ultrapassado, não teremos mais água, e sim os elementos.
A água, enquanto tal, é uma tensão especificamente diferente dos elementos que a compõem materialmente. A água tem sua forma, na linguagem aristotélica, ou o seu arithmós, na linguagem pitagórica.[9]
 
     Quando os átomos se fundem formando uma molécula, acontece um salto qualitativo e não se tem mais dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, mas água. Se fosse a mesma coisa, seria possível fazer água em laboratório apenas fundindo átomos de hidrogênio e oxigênio. Assim, os problemas de seca, que vitimam tanto pessoas quanto animais e desertificam imensas regiões espalhando a fome, estariam resolvidos. Isso não é feito porque (embora se diga ser possível e que até mesmo exista uma técnica), além de o custo ser demasiado elevado, a fusão atômica pode gerar uma explosão em função da liberação de energia durante o processo, e nenhum cientista quer gastar milhões para correr o risco de explodir a si mesmo ou ao laboratório para fazer água manipulada. Aliás, sorte teria o cientista que mantivesse a explosão restrita ao seu laboratório, pois é esse mesmo processo de fusão nuclear que dá origem às bombas de hidrogênio, as mais potentes e destrutivas bombas atômicas que existem. Mesmo assim, mesmo que a mudança qualitativa se dê com uma pronúncia explosiva, como se estivesse anunciando um evento ontológico de mudança de um objeto para outro com fogos de artifício, ou melhor, com uma luz ofuscante, com uma temperaturas avassaladora e com um estrondo devastador, insiste-se em dizer que água é o mesmo que dois átomos de hidrogênio mais um de oxigênio. Mário Ferreira dos Santos escreveu sobre esse erro lógico dizendo que
 
Podemos ver a água como um mero produto da combinação do hidrogênio e do oxigênio, e vê-la-emos imanente nesses elementos, mas se notarmos que ela atualiza virtualidades que estavam em potência no hidrogênio e no oxigênio, veremos nela um transcender do oxigênio e do hidrogênio. Pode a razão dizer que água é apenas H2O, mas dirá apenas a quantitatividade que ela representa, e não o salto qualitativo que ela realiza.[10]
 
     A fala de Carl Sagan reflete uma ideia bem estabelecida no pensamento cientificista moderno, a de que os homens são amontoados de átomos e partículas e o que injeta existência nos seres são suas partes constituintes. Ora, ainda que elementos constituintes dos seres vivos tenham sido sintetizados no interior das estrelas, não são tais elementos que conferem vida aos seres, antes, são os seres vivos mesmos que tornam esses elementos partícipes da vida, justamente porque passam a ser componentes de um organismo vivo. O todo tem primazia em relação às partes. Para esclarecer esse ponto, cabe citar o trecho do livro O Enigma Quântico, Desvendando a Chave Oculta, onde o cientista Wolfgang Smith explica que os...
 
Entes corpóreos não são de fato “feitos de partículas” como quase todo mundo crê firmemente. Não importa se concebemos clássica ou quanticamente essas “partículas constituintes”: a noção vem a ser fantasiosa nos dois casos, pois, como observamos, uma vez que sejam incorporadas, essas supostas partículas não são mais partículas. Tendo entrado na concepção de um ente corpóreo, elas se transformam em algo que não corresponde mais à ideia de partícula, transformaram-se em partes genuínas de um todo ontológico. Como tais, não possuem uma existência separada, mas recebem sua existência do todo do qual formam parte. Contrário à crença corrente, não são as partículas constituintes que conferem existência ao ente corpóreo, mas, antes, é este último que confere existência às partículas constituintes ao elevá-las desde sua situação de potentatiae [potência] até a de partes efetivas.[11]
 
     Esse desconstrucionismo, esse reducionismo cientificista é uma reverberação do atomismo de Epicuro. Esta filosofia helenística enxergava no homem apenas um amontoado de átomos, negava a realidade da alma e de qualquer coisa que estivesse além de átomos e espaços vazios, inclusive Deus. Para os epicureus o sentido da vida é o prazer, nada existe além da matéria e não há nada para além da morte. Se fossem descritos apenas os dogmas, ficaria difícil discernir se o objeto referido é o epicurismo ou o cientificismo. O atomismo busca explicar o mundo material não em função de sua causa, mas de suas partes constituintes, como se o alcance dos últimos componentes trouxesse junto dele a explicação. Quanto mais se mergulha na decomposição das partes constituintes, o que se tem não é uma explicação, mas sim uma extensão do problema. Em relação a esse atomismo, nem os epicureus nem Carl Sagan acertaram. O homem não pode ser definido como um amontoado de átomos porque isso não é, a priori, uma definição, pois não há reversibilidade nem distributividade entre o sujeito e o predicado, eles não têm a mesma intensão nem a mesma extensão. É evidente que esse ponto carece de maior clareza, por isso, é propício agora dar a palavra à Irmã Miriam Joseph:
 
Uma definição deveria ser conversível em relação ao sujeito, à espécie e a ao termo por definir. Por exemplo: um homem é um animal racional. Um animal racional é um homem. O termo por definir e suas definições coincidem perfeitamente, tanto na intensão quanto na extensão. Conversibilidade é o teste de uma definição. Uma declaração é conversível se for igualmente verdadeira com o sujeito e o predicado permutados.
O fato mesmo de que uma definição seja conversível prova que o predicado tem a mesma intensão do sujeito e, portanto, uma vez que o sujeito é distribuído, também o é o predicado. A conversão é o teste da distribuição.[12]
 
     Poderia, acaso, ser permutada a seguinte preposição: “O homem é um amontoado de átomos”? Pelo teste da reversibilidade ficaria assim: “Um amontoado de átomos é um homem”. De fato, um amontoado de átomos é um universo muito mais abrangente do que um homem, ficando assim descartada a preposição cientificista como uma definição de homem. Não é necessário mais do que apontar um erro lógico para desmontar ainda nas bases esse pensamento reducionista.
 
O SER ONTOLÓGICO É caracterizado pela sua forma, e o salto qualitativo de uma espécie para outra espécie não é viável, porque o ente deixaria de ser o que é, deixaria de ter a forma que tem para ser outro ente, para ter outra forma. Ocorreria um salto ontológico, e mesmo que a teoria da evolução alegue que há um elo entre uma espécie e outra, é justamente a falta desses elos que depõe contra a evolução interespécies. Se a forma ontológica é transmissível aos seres, como poderia um ser transmitir uma forma totalmente diferente dele? A própria biogênese tem como um de seus princípios a reprodução de espécies dentro de suas distintas espécies. Pássaros não reproduzem anfíbios, peixes não reproduzem pássaros, ainda que seja forçado o cruzamento entre espécies distintas, a reprodução restará inviável. Posto isso, chegaria um ponto na escalada evolutiva em que uma espécie seria indefinida, seria um elo entre espécies em evolução. Para se reproduzir, essa espécie indefinida precisaria cruzar ou com a espécie que a está imediatamente antecedendo, acabando assim por gerar novos exemplares dessa mesma espécie antecedente, ou cruzar com a espécie que está à sua frente na escala evolutiva para aumentar sua população, só que para que essa espécie evoluída exista, o cruzamento já deve ter se dado entre membros de sua própria especiação. A teoria sugere então, ainda que tacitamente, que um particular e pontual cruzamento não reproduziu a mesma espécie, mas promoveu um salto qualitativo, uma nova espécie. Mas é justamente isso que Darwin não afirmou, tampouco é o que afirma a biogênese.
     A Filosofia demonstra com argumentos ontológicos não só que a geração espontânea é impossível, mas que a imutabilidade da forma é um princípio ontológico. No livro Filosofia da Crise, Mário Ferreira dos Santos argumentou com brilhantismo que
 
...teríamos que admitir que o indivíduo vivo, que sofre tal mutação, manteria a mesma matéria, mas substituiria sua forma, que é específica, havendo em tal salto a passagem de uma espécie para outra espécie, o que é filosoficamente discutível e cientificamente ainda não demonstrado.
Conter-se-ia, assim, a ideia evolucionista dentro do campo da forma que lhe traçaria limites. E se tal ultrapassamento se desse, o indivíduo tal deixaria de ser, para dele surgir outro indivíduo, ou outros, o que só se dá na corrupção, como um corpo que, morto, se transforma em cadáver, mas deixa de ser o que era para ser outra coisa. A forma, especificamente considerada, contém-se em limites estreitos, e ela, de per si, não se transforma em outra.
A nova forma que surge é outra e não a mutação daquela, pois a forma é, como tal, intransformável; imutável dentro do seu âmbito, isto é, dentro de sua estrutura ontológica. ...A imutabilidade da forma é assim um princípio filosófico. E a ciência, neste ponto, só contribui para fortalecer tal pensamento.
Como a forma dos seres vivos é transmitida, uma nova espécie, por geração espontânea, é impossível.[13]

     O biólogo molecular Michael Behe constatou que a evolução não é capaz de criar mecanismos que não funcionam sem que todas as suas partes estejam completas e coerentemente arranjadas. É como um maquinário onde não há nada que seja acessório, decorativo ou dispensável, onde qualquer parafuso faltante inutiliza todo o conjunto. Biologicamente falando, há organismos que não teriam como existir sem que todos os sistemas e órgãos estivessem plenamente funcionando, se houvesse um momento em que o conjunto fosse incompleto, nada funcionaria. Behe conceituou essa característica biológica como Complexidade Irredutível e colocou uma pedra no sapato do evolucionismo. ““Por complexidade irredutível” escreve Behe, “quero me referir a um único sistema composto de diversas partes bem intrincadas que contribuem para a função do sistema”.”[14]
     Nem o acaso nem qualquer processo natural evolutivo poderiam criar sistemas estruturais incapazes de ter suas complexidades reduzidas. Mas foi quando Dembski aliou às descobertas de Behe as suas ideias de Design Inteligente que a Teoria da Evolução se viu encurralada contra a parede.
 
Dembski, em seu tratado chamado A Inferência do Design... havia se perguntado se o design pode ser reconhecido por alguma espécie de assinatura, algum critério pelo qual pudesse ser definido em termos matemáticos, e a teoria resultante não apenas generaliza o conceito de Behe de complexidade irredutível, mas põe a questão de uma “interferência do design” em uma base matemática... e, portanto, rigorosa. O que Dembski descobriu é a assinatura ou vestígio do design pode ser dada, de fato, em termos de um conceito probabilístico de complexidade especificada, ou, equivalentemente, em termos de um conceito informativo-teorético de informação de complexidade especificada ou CSI.[15]
 
     O próprio Darwin já havia dito que se um mecanismo irredutível fosse encontrado sua teoria estaria arruinada, mal sabendo ele que os seus sucessores teriam que se dedicar na busca de um algoritmo que incluísse a complexidade irredutível no processo evolutivo, reconhecendo a origem da informação encontrada na vida como a maior dor de cabeça da biologia evolutiva jamais enfrentada:
 
Se fosse possível provar que qualquer organismo complexo existisse, mas não pudesse ser formado por modificações numerosas, sucessivas e sutis, minha teoria iria, sem dúvida, fracassar.[16]
 
     Pois bem, o organismo complexo existe, e ele não pode ser formado evolutivamente, o flagelo bacteriano, por exemplo, é tão minunciosamente intrincado que é impossível que tenha se formado por sucessivas modificações. Eis o xeque-mate contra o qual os darwinistas argumentam apenas a necessidade intrínseca à ciência de afastar Deus para bem longe de qualquer conclusão, quando não se mostram pedantes a ponto de invocarem o laicismo do estado quanto às pesquisas científicas que resultem em mudanças no que é ensinado nas escolas:
 
O Teorema garante que a Informação de Complexidade Especificada não pode ser gerada por nenhum processo natural, o que implica que a grande quantidade de Informação de Complexidade Especificada presente no DNA de cada organismo vivo não poderia ter sido gerada em um cenário darwinista de variações aleatórias, selecionadas a posteriori. Mas poderia haver alguma saída para esse dilema?
Apenas duas possibilidades permanecem: ou o universo esteve repleto de Informação de Complexidade Especificada desde o princípio – uma suposição que dificilmente se enquadra com a hipótese do Big Bang – ou então não pode ser concebido como um sistema fechado que opera sob causas naturais.[17]
 
     É preciso que se deixe bem claro que a Teoria do Design Inteligente não cita Deus, cita apenas uma inteligência por trás de um design, mas, uma vez vendo qualquer vulto, diante da mínima sombra que possa dar margem à introdução de Deus no escopo científico, os amantes do cientificismo surtam em polvorosa e partem com unhas e dentes para cima da teoria a acusando de pseudociência, misticismo, vigarice e por aí a fora. Não é a Teoria do Design Inteligente mesma que envolve Deus, é quando os cientistas que fizeram a descoberta a entregam para a Filosofia e para a Teologia que a inteligência por trás do design é apontada e explicitada. Ainda assim, há cientistas que veem na descoberta do design uma evidência da existência de Deus e, valendo-se da liberdade que têm, reconhecem Deus como o grande projetista por trás do magnífico engendro que é o universo. Claro que a reação imediata dos cientificistas é abrupta e regada com adjetivos que de científicos não têm nada. Quando darwinistas opõem o criacionismo à evolução, deixam transparecer algo que se lhes fosse perguntado não admitiriam: o fato de não terem lido A Origem das Espécies de Charles Darwin, pois se o tivessem feito, teriam lido que, no último parágrafo do livro, o próprio Darwin se mostra um criacionista reconhecendo um design inteligente por parte do Criador, o qual ele mesmo escreve com “C” maiúsculo, e isso, mesmo no original em inglês. Eis o texto onde se pode conferir o próprio Charles Darwin citando um Criador:
 
Há uma grandiosidade inerente a esta visão de vida: O Criador concentrou os diversos poderes da vida num pequeno número de formas, ou apenas numa; e enquanto este planeta girava de acordo com a lei da gravitação universal, a partir de um princípio tão simples, foram desenvolvidas, e continuam a desenvolver-se, infinitas formas do mais belo e maravilhoso que há.[18]
 

[1]Que traduzido do francês significaa estabilidade experimentalmente constatada dos organismos atuais”.
 
[2]Smith, Wolfgang. A Sabedoria da Antiga Cosmologia. Tradução de Adriel Teixeira, Bruno Geraidine e Cristiano Gomes. Campinas-SP: Vide Editorial, 2017. Pág. 117.
 
[3]Darwin, Charles. A origem das Espécies. Capítulo I — Variação Sobre Domesticação. Chicago: Britannica, 1952. Pág. 45.
 
[4]Ibidem. Capítulo IV – Seleção Natural. Pág. 103.
 
[5]Ibidem. Pág. 118.
 
[6]Smith, Wolfgang, Cosmos e Transcendência: Rompendo a Barreira da Crença   Cientificista. Tradução de Percival de Carvalho. Campinas-SP: VIDE Editorial, 2019. Pág.118.
 
[7]Smith, Wolfgang. A Sabedoria da Antiga Cosmologia. Tradução de Adriel Teixeira, Bruno Geraidine e Cristiano Gomes. Campinas-SP: Vide Editorial, 2017. Pág. 358.
 
[8]O vídeo pode ser visto no Youtube no seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=x9PS1LJDQZw.
 
[9]Santos, Mário Ferreira dos. Filosofia da Crise. São Paulo-SP: É Realizações, 2017. Pág. 202.
 
[10]Ibidem. Pág. 196.
 
[11]Smith, Wolfgang. O enigma Quântico - Desvendando a Chave Oculta.  Tradução de Rafael de Paola. Campinas-SP: VIDE Editorial, 3ª edição, 2019. Pág. 178, 179.
 
[12]Joseph, Miriam. O Trivium: As Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica: Entendendo a Natureza e a Função da Linguagem. Tradução e adaptação de Henrique Paul Dmyterko. São Paulo-SP: É Realizações, 2008. Págs. 117, 133.
 
[13]Santos, Mário Ferreira dos. Opus Citatum. Págs. 84, 85.
 
[14]    Smith, Wolfgang. A Sabedoria da Antiga Cosmologia. Tradução de Adriel Teixeira, Bruno Geraidine e Cristiano Gomes. Campinas-SP: Vide Editorial, 2017. Pág. 290.
 
[15]    Ibidem. Pág. 289.
 
[16]   Darwin, Charles. Opus Citatum. Pág. 39.
 
[17]    Smith, Wolfgang. Opus Citatum. Pág. 298.
 
[18]    Darwin, Charles. Opus Citatum. Pág. 419.
Diogo Mateus Garmatz
Enviado por Diogo Mateus Garmatz em 25/03/2020
Alterado em 08/05/2020
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