Diogo Mateus Garmatz
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CIRO, O MESSIAS GENTIO
 
     Com a conquista persa, a soberania de Deus sobre a história apresenta um capítulo que evidencia com eloquência a existência de um destino determinado por Deus, e que Ele tem em suas mãos o controle de todo o desenrolar histórico. Quando Ciro, o rei persa, ordena que os hebreus voltem à sua pátria e reconstruam em Jerusalém o templo para adorarem ao seu Deus, ele descobre que havia no livro de um profeta hebreu uma referência ao seu nome e ao seu indulto real escrita, no mínimo, cento e cinquenta anos antes de seu nascimento. O fato é tão magnífico que em Isaías 45:1 Ciro é chamado por Deus de “meu ungido”, sendo que nesse registro é usado o mesmo termo aramaico para se referir a Jesus como Messias: “Mashia”, fazendo de Ciro o único não judeu que é chamado de Messias em toda a Bíblia, o que lhe confere o título de “o Messias Gentio”. Tem-se, agora, tanto Nabucodonosor chamado por Deus de “meu servo” quanto Ciro chamado de “meu pastor” e “meu ungido”.
     Mais uma vez um grande imperador do então maior império da Terra se curva diante do Deus que faz da história o arquétipo dos seus propósitos: “Quem diz de Ciro: É meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; dizendo também a Jerusalém: Sê edificada; e ao templo: funda-te.” (Isaías 44:28). O historiador judeu Flavio Josefo conta em sua obra, Antiguidades, que Ciro leu o que dele estava escrito no livro de Isaías e foi tomado de temor e espanto. Não é difícil imaginar o assombro que sobreveio a Ciro quando viu seu nome grafado no texto e leu de si mesmo:

     Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações diante de sua face, e descingir os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão. Eu irei adiante de ti, e endireitarei os caminhos tortuosos; quebrarei as portas de bronze, e despedaçarei os ferrolhos de ferro. Dar-te-ei os tesouros escondidos, e as riquezas encobertas, para que saibas que eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que te chama pelo teu nome. Por amor de meu servo Jacó, e de Israel, meu eleito, eu te chamei pelo teu nome, pus o teu sobrenome, ainda que não me conhecesses.
Isaías 45:1-5

     Ciro reconheceu seu destino e a soberania de Deus sobre sua vida, conforme registrado em II Crônicas 36:22, 23: “O Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém...” O episódio de Ciro revela que mesmo que ele não conhecesse o Deus dos judeus, Este ia adiante dele lhe dando a vitória sobre seus inimigos e o usando como ponta de lança para escrever a história já dantes estabelecida pelo próprio Deus.
     O destino pode mesmo levar pela vida afora, mesmo sem que se acredite nele, afinal, o destino não depende da consciência acerca dele. Ainda que o destino não seja conhecido, ou que até mesmo seja negado, ele continuará soberano. No livro do profeta Isaías, Deus se mostra como soberano absoluto da história:

... Eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio e, desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam: que digo: o meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade.
Isaías 46:10
 
     Durante o reinado de Dario, o persa, o capítulo 11 do livro de Daniel mostra o profeta comunicando à própria realeza, o então imperador Dario, que seu reino seria destruído pelos gregos, guerreiros vigorosos em batalha que já há tempos eram uma pedra no sapato do Império Persa. A história continua rasgando o vento como uma flecha que voa certeira em direção ao alvo.
Diogo Mateus Garmatz
Enviado por Diogo Mateus Garmatz em 29/12/2019
Alterado em 08/05/2020
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